consultório pediátrico

Prezados amigos:
Tenho atendido pais, crianças e bebês há mais de 20 anos em meu consultório . Atendo internações nos vários hospitais e faço parte do corpo clínico do Hospital Albert Einstein. Participo também de vários partos como pediatra/neonatologista. (vide mais informações sobre minha prática médica).
Diante dessa experiência profissional resolvi abrir um canal de comunicação com meus pacientes, informando sobre questões frequentes de consultas. Veja ao lado em consultório pediátrico.
Abri também uma comunicação especial sobre alimentação (tão fundamental para a saúde das crianças) com receitas, informações,....Participem!

Dr. Sergio Spalter

MANDE UM E/MAIL PARA:
drspalter@mac.com
011-38429194

Parto

O nascimento de uma criança é um momento muito especial na vida dela, dos pais e de todos que estão em volta. Para a mulher gestante, pode-se dizer que é uma passagem, quase um ritual de iniciação. Numa sociedade tão tecnológica e tão voltada ao mundo do intelecto, a experiência corporal pela qual ela passa na gestação, no parto e no processo de amamentar é um presente para seu auto-desenvolvimento. Poder viver esse mistério, que é o inicio de uma vida, no próprio corpo, certamente mudará a sua atitude no mundo para o resto de sua vida!
Pena que muitas vezes esse processo é vivido cheio de medos e angústias (que surgem principalmente pelo excesso de informação que temos hoje em dia). A perda de confiança e a dificuldade de entrar em contato com a própria intuição, geram muitas dúvidas e inseguranças. Basta alguém dizer - "acho que seu leite não é suficiente" - para que o processo do amamentar seja totalmente dificultado.
Eu fico sabendo de  tantos conselhos que as mães recebem que não só em nada ajudam, como acabam trazendo muita angústia para sua vida emocional.


Essa é uma época da vida em que o melhor é evitar muita informação e opiniões de terceiros. É importante tentar se reconectar com o corpo, principalmente através de movimentos , mas também de toques, massagem, silêncio. Os movimentos devem sempre fazer sentido para que a conexão com o corpo se estabeleça de forma coerente. Lavar pratos, varrer, cozinhar, tricotar, desenhar, dançar,caminhar... Gestos e ações tipicamente humanas .... E é saudável que o casal se sinta aberto, crie um espaço em suas vidas para o novo ser que está chegando.

a separação do casal

Quando nasce uma criança nasce uma família…e a vida do casal pode mudar muito, e eventualmente des-estruturar. Um casal sem filhos tem uma vida com uma maior autonomia . Existem ações compartilhadas, coisas que fazem juntos e várias outras em que seu par não necessariamente participa. Mas quando uma criança nasce, passa a existir uma tarefa comum,central  e muito importante, um cuidado com o  novo bebe, que pode ser muito exaustivo. E a medida em que a criança cresce, novas necessidades surgem. Claro que com o passar dos anos a companhia desse ser que está se desenvolvendo passa a ser cada vez mais gratificante. Mas as cobranças entre o casal podem aumentar muito. Em geral as mães, e também os pais, passam a sentir outras necessidades, que uma vida mais “solta”de casal não exigia. E muitas vezes se sente tolhido de fazer coisas que fazia antes do bebe nascer. Então parece que a felicidade de cada um, que antes era vivida de forma mais tranquila, passa a depender do outro. E como o outro muitas vezes não supre nossas alegrias, que pelo menos ele ou ela cumpram suas tarefas!?  É ai que pode surgir uma insatisfação e uma pergunta: será que eu casei com a pessoa certa? Será que essa pessoa do meu lado é aquela com quem eu quero constituir  minha família? 
Claro que muitos  encontros e separações são genuínas. Mas as que acontecem nesse momento, em que uma criança nasce, podem ser melhor observadas… Se cada um compartilhar suas dificuldades e limites, novas soluções certamente poderão ser encontradas. As vezes a decisão de separar pode ser a opção mais rápida a ser tomada…mas existem com certeza outras possibilidades. Ficar um tempo recolhido, cada um no seu espaço interno, pode ajudar bastante.


O Casamento

ALMITRA falou de novo e disse:
- Mestre, que pensais do Casamento?
Ele respondeu, dizendo:
- Nascestes juntos,
juntos ficareis para sempre.

Ficareis juntos
quando as asas brancas da morte
dispersarem os vossos dias.

Sim. Ficareis juntos
até na silenciosa memória de Deus.

Mas que haja espaço na vossa comunhão;
e que os ventos do céu
dancem no meio de vós.

Amai-vos um ao outro,
mas não façais do amor um empecilho:
seja antes um mar vivo
entre as praias das vossas almas.

Enchei cada um o copo do outro,
mas não bebais por um só copo.

Partilhai o pão;
mas não comais do mesmo bocado.

Cantai e dançai juntos, sede alegres;
mas permaneça cada um sozinho,
como estão sozinhas as cordas do alaúde
enquanto nelas vibra a mesma harmonia.

Dai os vossos corações;
mas não a guardar um ao outro.

Porque só a mão da Vida
pode conter os vossos corações.

Mantende-vos juntos,
mas nunca demasiado próximos:
porque os pilares do templo
elevam-se, distanciados,
e o carvalho e o cipreste
não crescem à sombra um do outro.
.

em "O Profeta"
de Khalil Gibran

MADRUGADA

Quem é pai ou mãe de filhos pequenos já deve ter percebido que muitos dos problemas aparecem de madrugada. E é muito chato ter que ir ao pronto atendimento nesses horários, mas as vezes é necessário. Como decidir? 
Todas as inflamações aumentam a noite, febres, secreções, dores. Isso ocorre por uma variação natural de hormônios que ocorre nos ciclos do dia e da noite. Por isso   as crianças podem ficar bem e sem febre durante o dia e começarem a reclamar no final do dia, quando a febre tende a subir.
Então, se a criança passou relativamente bem o dia e a febre subiu no final da tarde, possivelmente um antitérmico ou até um banho poderá resolver o desconforto e a criança dormirá mais tranquila. No meio da noite a mesma coisa, se a criança acorda com febre alta, o mesmo procedimento pode ser realizado. 
Em algumas situações a criança poderá acordar com falta de ar . Isso poderia ser causado por uma crise de bronquite  (a criança fica com dificuldade para expirar) ou por uma laringite (a criança fica com dificuldade para inspirar). Nesse caso se você tiver em casa algum corticosteroide receitado pelo seu pediatra, poderia ser usado e a seguir encaminhar a criança para o hospital. Mesmo que ela melhore no caminho , vale a pena ser avaliada. 
Outra situação que merece uma avaliação médica no meio da noite é no caso de a criança apresentar uma dor forte em alguma parte do corpo que não cedeu com o uso de analgésico.
E ainda no caso de a criança apresentar vomitos que não param, principalmente se for pequena, que poderia levar a desidratação.
De qualquer forma, é sempre importante tentar manter a calma para poder ter uma avaliação mais objetiva da situação.

terror noturno


Terror noturno é o nome que se dá quando a criança desperta no meio da noite, em geral no primeiro terço da noite, com uma crise de angústia e ansiedade. Ela fica semi-desperta e grita e chora sem fazer muito contato com os adultos por perto. Não adianta conversar com a criança nesse momento, bastando trazer algum conforto para ela. O que acontece normalmente é que ela vai aos poucos se acalmando e dorme. Algumas vezes ao chegarmos na cama da criança ela já dormiu. No dia seguinte não lembra de nada. Apesar de não ter uma causa única, devemos estar atentos à rotina do dia, lembrar de ter horas de pausa e descanço. E cuidado com televisão, principalmente no final do dia. Podemos ajudar fazendo uma massagem na barriga da criança antes do sono com óleo de lavanda e colocar uma bolsinha de água quente (envolta em uma toalha) nos pés a noite . As crises vão embora sozinhas, mas as vezes podem durar 1 ano !! para desaparecerem.
Outro motivo de despertar a noite são os pesadelos, mas esses acontecem mais no final dos sono.

O desenvolvimento da vontade própria


Quem tem contato com crianças pequenas já deve ter percebido que existem momentos em que elas não querem fazer o que queremos. Nessas horas aparecem aqueles choros terríveis, e por mais que se explique, as birras continuam. Isso marca o nascimento da vontade própria, que acontece principalmente nos primeiros 7 anos de vida. A criança não fica mais quieta para trocar a fralda, não quer mais ficar sentada na mesa, não para de mexer naquele vasinho de cristal….Ela quer, simplesmente, que as coisas aconteçam do jeito que ela quer (a idade por volta de 3 anos é bem característica disso).

O desenvolvimento infantil é marcado por esses conflitos. A criança vai transformando aquilo que é herdado e adaptando a sua individualidade. Isso é um processo lento, que leva 21 anos para se consolidar. E nesse processo nós adultos temos que estar atentos para perceber quando temos que dar as diretrizes e quando temos que dar um passo para trás e observar o desvendar do crescimento.

No caso das crianças pequenas , que estão treinando a vontade própria, podemos dar em alguns momentos a oportunidade de elas praticarem isso, reconhecendo seus atos próprios, elogiando suas conquistas e fazendo elas compartilharem nossas decisões (que devem ser sempre NOSSAS nos primeiros anos de vida).

Em várias outras situações, os limites serão colocados e a criança aprenderá que nem tudo pode…Terá seus ataques de birra que logo irão embora…E tudo isso diante de nosso calmo olhar….

o que sai da rotina...


Vivemos correndo para cá e para lá o tempo todo, com a sensação de que não vai dar tempo...De certa forma levamos as crianças junto, para esse monte de tarefas e compromissos. Então acontece o que não pode acontecer... O inesperado, uma batida no carro, uma chuva, transito, um esquecimento, uma febre, um choro que não para, uma noite sem dormir -ai não, de novo!- e justo naquele dia!
Mas não existe dia certo para isso, claro que não! Acontece.... Acontece também das crianças não se comportarem exatamente como gostariamos e de elas quererem fazer coisas estranhas -pular na água, rolar, pintar com os dedos, se fantasiar... Crianças são assim mesmo, querem libertar a fantasia, abrir caminho para criatividade.
Se conseguirmos fazer um pouco dessas coisas estranhas com as crianças, elas vão adorar !
O que sai das rotinas pode ser bem difícil de acompanhar num primeiro momento. Mas se paramos um pouco para pensar, essas são as recordações mais interessantes de nossas vidas. Difíceis ou fáceis, são os momentos que nos levam a repensar coisas, reavaliar nossos caminhos e aprender coisas novas. O inesperado pode não ser tão ruim assim. Basta não resistirmos. Viver aquilo que está acontecendo...Depois voltamos para as rotinas.

Congestão nasal




Muitos pais tem me procurado recentemente com a queixa de nariz congestionado dos seus filhos, que causa um enorme desconforto, fazendo com que a criança engasgue, vomite ou não consiga dormir direito. Os descongestionantes nasais que vendem nas farmácias, podem causar vários efeitos colaterais além de poder impedir o processo natural de limpeza e eliminação que o corpo está tentando fazer...algumas opções mais naturais e caseiras são:
- usar solução de limpeza nasal com soro fisiológico ou solução fisiológica a 3%
- tomar mais líquidos , chás, sopas ( principalmente canja ou caldo verde)
- inalações e vaporizador (quente) a noite
-colocar algumas gotas de óleo essencial de hortelã perto da criança (não direto na pele)
- fazer um saquinho de cebola picadinha, envolvida em um pedaço de pano de prato e amarrada, e deixar perto da criança
ou colocar o saquinho por dentro da meia na sola do pé
- chá de limão ( colocar o suco em uma xícara e completar com água quente e colocar mel ( para crianças acima de um ano)

...mandem suas experiências!

ficar doente...


Claro que ninguém quer ficar doente e muito menos que os filhos fiquem. Mas acontece...E a nossa tendência é sempre resistir e não querer que aconteça. Querer o mais rapidamente acabar com o problema-pois ele não faz sentido.... e uma tensão começa a ser criada. Aquela cena da criança curtindo sua febre enrolada no cobertor com a mãe ou o pai do lado não existe mais. Temos que lembrar porém que é mais do que sabido (mesmo cientificamente) que o conforto diminue o tempo da doença. Não o conforto de um antitérmico, mas o conforto de um colo gostoso, de uma bebida quentinha, de um remédio caseiro. A correira e ansiedade podem , por outro lado, piorar os sintomas do problema. E muitas vezes impedem que tiremos um real proveito desses momentos difíceis. Uma criança que é cuidada adequadamente quando doente saberá, com certeza, enfrentar as suas crises futuras com mais sabedoria.

o gostoso e o difícil



Assim como os avós mimam seus netos e dão para eles comerem ou brincarem coisas que nem sempre os pais gostam, nós pais, de certa forma, fazemos o mesmo. Por diversos motivos, oferecemos coisas gostosas para nossos filhos que não são necessariamente saudáveis. Isso faz parte de nossa cultura -quem não gosta de ver o brilho nos olhos e a alegria de uma criança pequena recebendo uma bala, mesmo que seja cheia de corantes e conservantes? Uma coca-cola será sem dúvida a escolha de várias crianças se a outra opção for um suco de laranja. Assim como jogar um video game a ir ao teatro. O problema é que nivelamos a cultura e o aprendizado infantil por baixo. Mais fácil gostar de uma bolacha recheada do que de uma fruta . Mais fácil ficar na televisão do que na natureza, ou ouvir um concerto. Com o tempo entretanto, percebemos que o mais fácil pode parecer mais gostoso, mas não necessarimente é. Quando crescemos começamos a apreciar refeições e temperos mais sutis, ir a museus, fazer uma trilha no campo, ouvir sons mais elaborados, assistir filmes e peças teatrais que emocionam.
Vale a pena lembrar que os sentidos da criança se desenvolvem principalmente no início da vida. Esse é o momento de oferecer sabores, cheiros e texturas mais sublimes. Com isso estaremos presenteando nossos filhos com um repertório mais elaborado para suas vidas futuras.